GUIA DA VERDADE
quarta-feira, 29 de abril de 2026
O VALOR DE UM
VERDADEIRO AMIGO
O jovem Rogério estava desesperado. A tristeza estampada em
sua face mostrava claramente o tamanho do seu sofrimento. Impaciente, andava de
um lado a outro do seu quarto. Imediatamente, pegou o telefone e ligou para seu
melhor amigo.
Do outro lado da linha, com uma voz calma e tranquila o
amigo Maurílio pronunciou um suave “Alô?”. Ele havia chegado do trabalho e
acabara de tomar um banho. Estava saboreando um hambúrguer que comprara na
padaria da esquina.
Uma voz angustiada respondeu: - É você, Maurílio? - Sim,
respondeu o amigo que, mantendo a
tranquilidade, perguntou: - O que está acontecendo com você? Qual o motivo de
tanto desespero? Que tipo de animal te mordeu?
A resposta deixou o jovem preocupado. Aquela tranquilidade
desapareceu como por encanto, deixando-o até sem vontade de saborear o
sanduíche.
- Estou arrasado, amigo, respondeu Rogério angustiado.
E prosseguiu: Roubaram minha moto, fui
demitido do emprego e perdi a namorada.
Rogério olhou no relógio e viu que ainda dava tempo de ir
até o colega sofredor, para tentar acalmá-lo. Pediu que ele se acalmasse.
Vestiu uma camisa, tomou a chave do carro e foi até o apartamento do amigo.
Bateu à porta e entrou. O amigo, dominado pelo pranto,
correu a abraçá-lo. Os dois sentaram lado a lado e Rogério, o infortunado
colega, narrou como tudo havia acontecido numa sequência terrível e até
parecendo proposital.
Depois de alguns minutos de conversa, Maurílio convenceu
Rogério a acompanhá-lo numa caminhada sem um destino certo. Rogério não estava
entendo nada, apenas acompanhava o amigo em silêncio, mas sem esconder sua
preocupação.
A primeira parada foi num velório, onde se misturaram às
pessoas que, em prantos olhavam entristecidos para um corpo inerte em um caixão
de luxo. Era uma família de classe média alta. Os dois acompanhavam em silêncio
a triste cena do momento.
Passados alguns minutos, Maurílio fez um gesto para Rogério, indicando que estava na
hora de saírem daquele local triste e melancólico.
Educadamente se despediram dos familiares do finado e
partiram. Os dois, durante o trajeto, não pronunciavam uma só palavra. Rogério
olhava para Maurílio esperando alguma explicação. O amigo permanecia em
silêncio.
Pararam em frente a uma igreja, onde era celebrado um
casamento. Maurílio fez um gesto e os dois entraram, sentando-se no último
banco, de onde acompanharam toda cerimônia. Rogério continuava sem entender
nada.
Mantendo o silêncio, Maurílio obrigava o amigo a acompanhar
todos os detalhes da cerimônia, onde tudo era alegria, desde as músicas
cantadas e executadas, aos sorrisos escancarados dos convidados.
Os dois iniciaram uma caminhada de volta ao apartamento do
Rogério, que continuava sem entender as intenções do Maurílio. Em dado momento,
Maurílio falou:
- Rogério! Nós acabamos de viver dois momentos distintos:
No primeiro, ficamos diante de uma família que chorava a perda de um ente
querido. Aquela perda foi para sempre. Eles não voltariam a ver nunca mais a
pessoa amada.
No segundo momento, ficamos diante de um acontecimento que
marcava o início de uma nova vida. Ali, todos se alegravam cantando e soltando
gostosas gargalhadas diante de um casal que dava seus primeiros passos para
construir uma nova família.
Chegando em casa, os dois sentaram na mesma poltrona dos
lamentos, mas, agora com um Rogério de coração mais aliviado. O silêncio era
sepulcral. Olhando com firmeza nos olhos
do amigo, Maurílio quebrou o silêncio:
Rogério! Continuou Maurílio, a moto, com esforço você
consegue reconquistá-la ou comprar uma bem melhor. O emprego pode ser
reconquistado ou até ser substituído por outro bem melhor.
Quanto a namorada, não se entristeça. Você pode encontrar
uma moça que te ame verdadeiramente e te faça feliz, construindo com você uma
verdadeira família.
Você viu que uma família lamentava uma partida sem volta,
enquanto a outra, comemorava o início de uma nova vida.
Agora, eu te pergunto, Rogério, vale a pena chorar e
alimentar um sofrimento, quando tudo
pode ser renovado?
Vai, amigo! Enxuga as lágrimas. Arranca do peito esta dor e
começa a viver uma nova vida. Vai em busca de um futuro promissor. A luta pode
até ser árdua, cheia de desafios, mas Deus vai estar sempre contigo.
Os dois sorriram. O semblante de Rogério era de quem vivia
um momento de esperança. Levantou-se lentamente, deu um abraço no amigo e,
depois de um longo suspiro, sugeriu:
Que tal abrirmos um champanhe?
Foram momentos de descontração. Rogério já não era aquele
jovem despedaçado pelas incertezas e pela desesperança. Ao seu lado, um verdadeiro amigo, que soube conviver com seu
sofrimento e colocá-lo num mundo de esperança.
Maurílio voltou para casa com o coração aliviado e certo do
dever cumprido, enquanto Rogério, agora com o coração menos dolorido,
deitava-se com o pensamento no dia seguinte, quando começaria uma nova vida
cheia de novos projetos.
Criação de Adalberto Pereira
quarta-feira, 4 de março de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
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