quarta-feira, 26 de março de 2025

 

                        QUANDO SENTIR SAUDADES NÃO FAZ MAL

Hoje, eu recebi uma visita maravilhosa. Estava eu em um dos meus momentos de descanso, quando, de repente, a saudade bateu-me à porta. E como eu a recebi com alegria e emoção! Não faz mal sentir saudades, quando elas nos colocam diante de um passado prazeroso e repleto de alegrias.

Êita, saudade! Como é bom, vez por outra ter você como companheira! Como é bom rememorar aqueles momentos no Colégio Alfredo Dantas, lá, em Campina Grande! Saudades das aulas de Francês, com a professora Marly Carvalho e Português com d. Otília! E as aulas de Cântico Orfeônico com o professor Gadelha! Depois das aulas, um sorvetinho bem saboroso na Sorveteria Flórida. Êita vidinha gostosa!

Sair da Rua Monte Santo para o Colégio Estadual, o Gigantão da Prata era uma longa caminhada, mas valia a pena assistir as aulas de Inglês do professor Paloma, de Latim do Pe. Emídio, de História Geral do professor Raimundo Suassuna, de Geografia de d. Vanda de Francês de d. Jacinta e de Matemática de Sinval. Seguir a disciplina do professor Raul Córdula e do professor William Tejo era algo meio chato, mas valia a pena.

Saudades da famosa Escola de d. Adelma, lá na Rua Arrojado Lisboa, onde as aulas eram ministradas por d. Guiomar, a filha da dona! Era o tempo em que recebíamos a professor educadamente e, orgulhosos, cantávamos o Hino Nacional Brasileiro.

Ah, saudade! Que bom você me levar até a Rádio Borborema, onde me deleitava com os programas O Domingo Alegre, com Leonel Medeiros; o Clube Papai Noel, com Juracy Palhano e os velhos pastoris com Leonel Medeiros e Palmeiras Guimarães? E como eu gritava euforicamente: Azul é o céu, azul é o mar, azul é a rainha que nós vamos coroar!

Ah, saudade! Obrigado por colocar-me diante do meu rádio SEMP para ouvir a voz aveludada de Silvinha de Alencar, no programa a Estrela do Meio Dia! Não faz mal sentir saudades das coisas agradáveis, mesmo estando elas num passado tão distante!

Êita, saudade! Agora estou de volta ao Batalhão de Serviços de Engenharia, o BSvE, ouvindo vozes de comando dos tenentes Rego Barros, Almeida Passos e Negri. E a convivência com o Coronel Queiroz, nosso comandante, e com os majores Marcelo e Maurício.

É isso que me leva à certeza de que não faz mal sentir saudades quando ele nos leva a um passado repleto de bons momentos. Bom lembrar as noites enluaradas e as conversas com os colegas Aleixo, Da Silva, Waldemar, Magalhães, Pimentel e o cabo Pereira, metido a Don Juan.

Êita, saudade! Agora você foi longe demais heim! Levar-me até a Rua Azul, onde eu dei meus primeiros passos!

Voltar a Timbó, lá no Distrito de Abreu e Lima, a velha Maricota, era algo que nem sonhava! Mas é bom lembrar d. Maroca, minha primeira professora e nossas queridas vizinhas, d. Menininha e d. Benedita, a mãe do Joel.

Ah, Saudade! Nossa viagem está sendo longa demais! Agora, me encontro no bairro de José Pinheiro, sentado na praça e esperando a Joana D’Arc, para assistirmos a primeira sessão no cine São José. É aí que me vem à memória as matinées do Cine Avenida, na Getúlio Vargas.

Oh, minha saudade! Vamos fazer uma pausa nessa nossa caminhada? Agora eu preciso me deleitar com as belíssimas interpretações dos cantores Ronaldo Soares, Geraldo Andrade, Silvinha Alencar, Maria das Neves e dos irmãos Gilson e Geisa Reis.

Como era rico o cast da Rádio Borborema. E a orquestra regida pelo maestro Nilo Lima? Mas não dá para esquecer o piano de Jaime Seixas. Junto ao regional do Orgírio Cavalcanti o resultado era um grande show.

Deu tempo até de passarmos rapidamente lá pelas ruas onde moramos: Rua Paraguai, na Prata; rua São Paulo, na Liberdade; Av. Rio Branco; Alto da Bela Vista; Rua Idelfonso Aires; Rua Arrojado Lisboa; Rua Ceará e, finalmente, Rua do Monte Santo. E os namoros na Praça Félix Araújo… Huuuum…! Ah, não, saudade, me tira daqui! Por favor!

Ah, minha saudade! Que pena que alguém chegou para dizer que chegara a hora de acordar do sonho. (suspiro) Mas a vida é assim mesmo! Quem sabe em outro momento você volte para levar-me a outros passados que não conseguimos alcançá-los.

Tchau, minha saudade! Até mais ver!


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