quarta-feira, 30 de julho de 2025

 

            VALDEIR BATISTA: UM NOME QUE NÃO SERÁ ESQUECIDO

Há momentos em que o silêncio nos faz sofrer menos. O dia 26 foi, para mim, um dia de silêncio. Por mais que tentasse, as palavras não fluíam para que eu pudesse desabafar uma tristeza incomum. A notícia do falecimento do amigo Valdeir Batista foi, para mim, um golpe fulminante e inacreditável.

Preferi o silêncio. Afinal, o chorar em silêncio também é capaz de mostrar um sentimento profundo e verdadeiro. Qualquer mensagem produzida naquele momento seria apenas uma mensagem. E isso não faz parte do meu ego. Eu não estava diante de uma simples informação sobre a morte de alguém. Era a morte de um grande amigo.

O carinho, o respeito, a amizade que eu sentia pelo amigo Valdeir Batista, tudo foi resultado de uma convivência sincera e leal. Era um respeito mútuo, recíproco. Nossa amizade foi fortalecida ainda mais quando eu fui por ele escolhido para “comandar” o Departamento de Jornalismo da Rádio Arco Iris FM.

Normando Sóracles Gonçalves era seu sócio na nova emissora, junto a José Rodovalho. E foi o próprio Normando quem me procurou para assumir a honrosa missão. Ele me dissera que era uma exigência de Valdeir a minha contratação. In loco, aceitei.

Até então, não conhecia o lado humano e a simplicidade de um empresário do nível de Valdeir Batista. Sincero, honrado e dono de uma das maiores virtudes que um homem pode ter: a arte de ouvir as pessoas. Com uma simplicidade incrível e um sorriso que lhe era próprio, ele dialogava de forma amigável, independente de quem estivesse à sua frente.

Valdeir era surpreendente. Estava eu na Praça Frei Ibiapina. Era uma manhã de sábado, quando fui procurado por José Rodovalho. “Venha rápido! Me acompanhe, que Valdeir quer falar com você e é urgente” – disse ele, fazendo com que o seguisse às pressas. Eu estava sendo convocado para coordenar o Comitê Eleitoral da campanha do Dr. Valdemir Batista, seu irmão, candidato a prefeito de Araripina.

Como Valdeir me descobriu, eu não sei explicar. Também nunca procurei saber. A cada momento ele me surpreendia. Até no momento em que, lá no Comitê e diante de todos, ele chamou d. Vandeilza e determinou: - Tudo que Adalberto precisar, atenda na hora! Ele será o responsável por este Comitê a partir de hoje! E não deixa nada pra depois!

No momento eu não dei muito crédito ao que acabara de ouvir. Podia ser fruto de uma empolgação. Mas, ao longo da campanha, tudo foi cumprido à risca, conforme ele havia determinado. “Finalmente, um homem de palavra”, pensei eu. Para compensar a confiança em mim depositada, me esforcei ao máximo. Como resultado, no dia 8 de novembro, alcançamos uma grande e esmagadora vitória. Era o ano de 1988.

Certa vez, um amigo, em conversa, lá na Praça do Hospital, disse-me ter perguntado ao Valdeir, por que ele não me contratava para a Arari, ao que ele havia respondido: - Adalberto é caro. A rádio não tem condições de contratá-lo. Ele nem sabia o quanto eu sonhava em ser seu funcionário. Trabalhar para Valdeir era um prêmio que poucos conseguiriam conquistar.

A inteligência de Valdeir Batista era inconfundível e inquestionável. Ele sabia muito bem quando as pessoas tentavam se aproveitar de sua generosidade para explorá-lo. Com uma educação incrível, e bastante precavido, sabia a decisão a ser tomada.

Valdeir tinha seus gestos próprios para os momentos adequados. Seu sorriso verdadeiro e até meio tímido mostrava sua satisfação diante da situação, da mesma forma que seu jeito sério dava a entender quando a situação não lhe agradava. Eu até aprendi a distinguir esses dois lados.

Mas, Valdeir Batista era muito mais. Suas qualidades não podem ser conceituadas com palavras. Como deputado, na Assembleia Legislativa sempre defendeu as principais causas de Araripina. Como chefe do Executivo Municipal, foi um exemplo para as futuras gerações. Exemplo, inclusive, seguido, pelo irmão Valdemir Batista.

Hoje, Araripina chora a perda de uma figura tão importante para a sua história. História esta que já era portadora e repletas de fatos inesquecíveis. Valdeir Batista, que contribuíra com o desenvolvimento industrial da região, com a implantação da ARTESA e ARTEFIL, deixa um grande exemplo de amor pela cidade que o adotara como mais um dos seus filhos ilustres.

Talvez eu tenha demorado demais para me posicionar diante de um momento tão lamentável. Mas eu precisava me desfazer daquela tristeza que me pegara de surpresa. Não foram poucas as vezes que, ao produzir este texto, parei para me certificar de tudo era verdade. Não foi fácil conseguir chegar até aqui.

Que DEUS em sua infinita misericórdia, acalente e conforte os corações aflitos e ainda inconformados de todos os que integram a família do saudoso, mas sempre lembrado VALDEIR BATISTA, um nome que sempre estará guardado no fundo do meu coração.

Por Adalberto Pereira


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