ANALISANDO A IMPRENSA BRASILEIRA
Comecei no rádio no ano de 1962. Como era novato, deram-me um programa musical no horário de pouca audiência: depois da Voz do Brasil, programa conhecido como “desliga rádio”. Realmente, 80% desligavam os rádios.
Certa vez eu estava na discoteca da emissora escolhendo as músicas para o programa, quando o diretor chamou minha atenção: Lembre-se, garoto, que o programa não é para você. Se quiser ouvir músicas de sua preferência, ouça em casa.
Foi uma excelente lição. Aprendi que eu estava fazendo um programa para as mais diversas preferências musicais. Era obrigado a ouvir coisas que me deixavam enjoado. Mas era obrigado a ouvir.
No jornalismo, essa lição serviu para me fazer um jornalista respeitado. As notícias eram levadas ao ar com imparcialidade. Eu ouvia e divulgava os dois lados dos fatos. Ou era assim, ou não divulgava. Foi assim que conquistei a confiança de todos.
Quando senti que as coisas já não eram como eu costumava ver, preferi abandonar a profissão. Não dava para me converter à subserviência e aos interesses de terceiros, indo na contramão da vontade popular.
Ainda sentindo aquela vontade de mostrar o que é jogado “debaixo do tapete”, ou seja, o que muitos escondem, seja por covardia ou por interesse próprio, estou aqui para descrever a verdade. Por sinal, sempre fui verdadeiro em meus atos e em minhas convicções.
O que você tem recebido de informações a respeito do movimento ocorrido em março de 64? O que lhe ensinaram ou ainda lhe ensinam nas escolas e nas universidades a respeito do Regime Militar? Seus orientadores são confiáveis?
Pouco ou quase nada é mostrado, como resultado positivo apresentado pelo Regime Militar, iniciado em Março de 1964. As informações, ao contrário, são as piores possíveis, principalmente quando envolve pessoas ligadas ao regime comunista.
Na minha concepção e pelo que acompanhei na época, o nosso País esteve às portas de viver a tragédia de um sistema ditatorial vivido por Cuba pela Venezuela.
E, se isso não aconteceu, devemos a homens corajosos e destemidos, que não se curvaram e nem cruzaram os braços diante da iminência de nos tornarmos vítimas de um sistema miserável e retrógrado.
VAMOS À REALIDADE DOS FATOS?
É bom vivermos uma realidade que muitos se esforçam em ocultar. Considerando o lado positivo, faz-se necessário lembrarmos que, durante o citado Regime foram construídas várias obras de infraestrutura, todas elas de grande porte, mostrando sua importância para o desenvolvimento do País.
Citemos, como exemplos a Rodovia Transamazônica; as Hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí, a Ponte Rio-Niterói; a Ferrovia do Aço e o Projeto Grande Carajás.
Vale salientar que a Hidrelétrica de Itaipu é considerada uma das maiores do mundo, localizada no Rio Paraná. Já a Hidrelétrica de Tucuruí, construída no Rio Tocantins, no Pará, supriu a demanda de energia daquela região.
Aí vem a Ponte Rio-Niterói, ligando as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. Esta obra-prima facilitou e ainda facilita o tráfego entre as margens da Baia da Guanabara.
Além disso, podemos mostrar outros empreendimentos de grande importância que, mesmo sendo de grande utilidade, infelizmente, não são lembrados como pontos estratégicos de progresso.
Vejamos, então: O Metrô de São Paulo; os Pólos Petroquímicos; o Projeto Pró-Álcool; as Usinas Nucleares de Angra, objetivando a geração de energia elétrica; o Banco da Amazônia e a SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).
Outro fator que merece destaque está no crescimento no PIB, (Produto Interno Bruto), que colocava o Brasil no 45º lugar no mundo e, 21 anos depois, já ocupava o 10º lugar, um avanço impressionante.
A pergunta que se faz é: Por que a imprensa não relata esses fatos? O que causa amnésia nesta imprensa, que se afaga nos braços da subserviência? Quanto custa aos cofres públicos o silêncio e a parcialidade da imprensa brasileira?
Na verdade, esta não é a imprensa da qual eu fiz parte nos anos 60 e 70. Ela perdeu a credibilidade e, hoje, sua visão profissional enoja os princípios éticos dos grandes profissionais que tivemos no passado.
Sentindo a complexidade desenfreada do tabuleiro deste jogo de “xadrez” desnorteado, resolvi “deitar o rei”, sair descontaminado e procurar um caminho onde as decepções fossem menos drásticas e não enlameassem o meu caráter.
Hoje, o mundo das comunicações sobrevive pela força da desonestidade, da corrupção e da subserviência. Deixar as pessoas bem informadas já não faz parte do juramento de quem “esquentou” os bancos das faculdades, para arrebatar o diploma da mentira.
São os pseudos jornalistas, desprovidos de caráter e de boas intenções. Aqueles que leiloam seus serviços e são arrebatados pelas maiores ofertas, mesmo que estas os coloquem entre os mais desprezíveis dos mercenários.
Os retratos dos profissionais do passado estão ofuscados pela incompetência dos “piratas” do presente, péssimos exemplos para o futuro. Esta, infelizmente, é verdade de como sobrevive a falsa imprensa.
Aos jovens curiosos, um alerta: quando alguém, aproveitando o seu desconhecimento da nossa história, tentar mostrar o lado negativo da Revolução de Março de 64, pergunte qual o índice de criminalidade no país, de 64 a 88.
Indague sobre o número de assaltos a bancos, a proliferação das drogas, os sequestros, as ações dos grupos criminosos que dominam o país e a corrupção por parte dos nossos governantes.
Vocês podem até pedir um relatório das propinas e enriquecimentos ilícitos dos homens que governaram o nosso país durante o regime militar. Faça, se desejar uma comparação entre os homens do passado e os do presente.
Espero que vocês obtenham respostas verdadeiras e imediatas. Se, por acaso seus informantes tentarem mudar de assunto, traga-os de volta à realidade, exigindo uma resposta convincente, com dados concretos e documentados.
Um forte e caloroso abraço. Se desejarem maiores informações, contem comigo.
TENHO DITO!
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