quinta-feira, 5 de novembro de 2020

QUEM MATOU A BARATA DO GREGÓRIO?

 

                                     A BARATA DANÇARINA!

Gregório era um garoto peralta. Era daqueles que não podiam ver um inseto que tratava de pegar para fazer dele mais um dos seus brinquedos. Disse-me sua mãe. D. Cecília, que ao nascer o primeiro sorriso que o garoto fez foi para uma mosca que pousou no seu nariz.

Greg, como era chamado na intimidade, foi crescendo e o seu interesse pelos insetos cada vez aumentava mais. Baratas, moscas, grilos, besouros, formigas e outros mais, todos eram bem tratados pelo menino.

Com dez anos, ele falou para D. Cecília que estava pensando em domesticar uma barata. A mãe, atônita, olhou para o filho, pôs as mãos na cintura e bradou: Tu tás doido menino? Onde já se viu uma barata fazer o que gente faz? Gregório ficou calado, mas a ideia foi crescendo a cada dia que passava.

Bem! Se a mãe acha que eu tô doido, vou mostrar a ela que eu consigo! E muito mais: vou fazer a barata dançar! E vou ganhar dinheiro com ela! Iniciava-se a partir daquele momento a tormentosa tarefa do garoto peralta. Pegou uma barata e lá se vão os dois para a árdua tarefa.

Eram cinco horas de aulas por dia! Professor e “aluna” passaram a dormir juntos. Tudo escondido da vista de D. Cecília. E o tempo ia passando! Um ano, dois anos, cinco anos, dez anos e, finalmente o grito de Gregório: EUREKA!!!

Cuidadosamente colocou a barata numa caixa bem adequada à sua sobrevivência e cuidadosamente construída pelo audacioso domador de baratas. A música era uma só, para não tirar a atenção da fiel “aluna”, agora dançarina de primeira qualidade! Coisa inédita!

A praça já estava lotada! A manhã estava bastante convidativa. Todos queriam ver pela primeira vez na cidade, e quem sabe, no mundo, uma barata dançarina. Orgulhoso, Gregório via fluir o seu grande sonho: era o primeiro na história a domesticar uma barata. Afinal, foram dez longos anos de inédita perseverança.

Tudo preparado! Gregório ligou o som com a música já conhecida de sua paciente “discípula”, e com voz de felicidade anunciou:

Senhoras e senhores, depois de 10 anos de longo e perseverante trabalho, vem aí a barata bailarina, para os aplausos de todos!

Era realmente algo espetacular! A expectativa era tamanha que chegava a prender a respiração do público presente. Os olhares perplexos eram todos dirigidos àquela dançarina estranha, mas simplesmente incrível.

De repente, um sujeito metido e que não sabia do que se tratava, abriu espaços entre as pessoas e, ao ver uma barata, gritou: Vejam! Uma barata! E sem qualquer explicação, esmagou com seu sapato 44 a pobre dançarina.

Ao ouvir o trágico "SPLAFSH", os presentes, como se tivessem ensaiado por várias semanas, deixaram escapar um sonoro e lúgubre AHHHHH!!! Enquanto isso, indiferente à tragédia que havia causado, o brutamontes dava meia volta e sumia no meio da multidão.

Estupefato, Gregório não acreditava no que estava vendo! Diante dele, dez anos de dedicação e de perseverança, transformados em bagaços de barata.

- Por Adalberto Pereira –

 

                                    -o-o-o-o-o-o-o-

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário