sábado, 8 de junho de 2019


                                           RESPEITAR SEM BAJULAR  

Bajulação e respeito não devem caminhar lado a lado, pois eles não têm nada em comum. O bajulador sempre exagera ao falar sobre os méritos de alguém, e o faz de forma interesseira. Futuras recompensas ou futuras vantagens estão acima de qualquer realidade.
O respeitador reconhece os méritos de alguém sem exageros, optando por fazer justiça. Ele é atencioso e sempre elogia quem merece ser elogiado, de forma simples, sem hipocrisia.
Quem respeita trata os seus semelhantes com profunda atenção, deferência, consideração e reverência. Ele sabe ser cortês e elegante no falar, limitando suas considerações para não se tornar abusivo aos olhos dos outros.
O respeito se transforma em bajulação a partir do momento em que os elogios não condizem com a realidade do elogiado. Dizer o que a pessoa está longe de ser é uma forma de pregar mentiras com a desprezível intenção de ser simpático a alguém.
O bajulador não conquista a confiança nem mesmo do bajulado. Certa vez um jovem repórter de uma determinada emissora de rádio foi entrevistar o prefeito da cidade. Antes da entrevista, numa conversa informal de preparação para a missão a ser cumprida, ele exagerou nos elogios ao prefeito, que, entre encabulado e revoltado, cancelou a entrevista.
Um empregado bajulador demonstra ser incompetente para o exercício da profissão e se vale desse princípio antiético para garantir o emprego. Gruda-se tanto ao patrão que chega a causar ciúmes até mesmo dentro da família. Muitos são tão intoleráveis que suas bajulações provocam o seu afastamento dos colegas.
Devemos, sim, reconhecer os méritos dos outros, mas esse reconhecimento somente se faz necessário no momento oportuno e de forma sincera e verdadeira. Por mais vaidoso que seja ninguém gosta de ouvir elogios exagerados.  Ouvi de um patrão para um empregado bajulador: “Vá direto ao assunto e deixe de bajulação, rapaz!”. Mas o bajulador é desprovido de bom senso. Nem sabe quando está sendo censurado.
Na tentativa de conseguir uma vaga como locutor, mesmo sem as condições necessárias para isso, um jovem apresentava-se ao gerente da empresa para uma entrevista. Passou a citar valores que o gerente não tinha, apesar de sua capacidade administrativa. Ele nem se preocupou em apresentar as suas qualidades, se era que as tinha.
Já demonstrando certo desconforto diante de tanta bajulação, o gerente pediu que o pretenso locutor apresentasse seu currículo ou falasse um pouco de suas experiências e como ele não tinha nada a dizer, o diretor levantou-se irritado, deu um tapa na mesa e disse que a entrevista estava encerrada.
Na sala da Fiscalização Administrativa do BSvE, onde servi em 1960, um colega procurou o tenente Negri, chefe da seção, a quem se colocou à disposição para servi-lo no que ele precisasse. Experiente, o oficial logo sentiu que o recruta estava tentando conquistar a sua confiança pela bajulação. O colega recebeu um fora tão grande que nem conseguia mais encarar o superior.
Bajular não vale a pena. Respeitar é preciso para que o respeitador também seja respeitado. O bajulador não é digno de respeito e nenhum mérito lhe é conferido. Na verdade, devemos respeitar sem bajular.

(Por Adalberto Pereira)

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