RESPEITAR SEM
BAJULAR
Bajulação e respeito não
devem caminhar lado a lado, pois eles não têm nada em comum. O bajulador sempre
exagera ao falar sobre os méritos de alguém, e o faz de forma interesseira.
Futuras recompensas ou futuras vantagens estão acima de qualquer realidade.
O respeitador reconhece os
méritos de alguém sem exageros, optando por fazer justiça. Ele é atencioso e
sempre elogia quem merece ser elogiado, de forma simples, sem hipocrisia.
Quem respeita trata os seus
semelhantes com profunda atenção, deferência, consideração e reverência. Ele
sabe ser cortês e elegante no falar, limitando suas considerações para não se
tornar abusivo aos olhos dos outros.
O respeito se transforma em
bajulação a partir do momento em que os elogios não condizem com a realidade do
elogiado. Dizer o que a pessoa está longe de ser é uma forma de pregar mentiras
com a desprezível intenção de ser simpático a alguém.
O bajulador não conquista a
confiança nem mesmo do bajulado. Certa vez um jovem repórter de uma determinada
emissora de rádio foi entrevistar o prefeito da cidade. Antes da entrevista,
numa conversa informal de preparação para a missão a ser cumprida, ele exagerou
nos elogios ao prefeito, que, entre encabulado e revoltado, cancelou a
entrevista.
Um empregado bajulador
demonstra ser incompetente para o exercício da profissão e se vale desse
princípio antiético para garantir o emprego. Gruda-se tanto ao patrão que chega
a causar ciúmes até mesmo dentro da família. Muitos são tão intoleráveis que
suas bajulações provocam o seu afastamento dos colegas.
Devemos, sim, reconhecer os
méritos dos outros, mas esse reconhecimento somente se faz necessário no
momento oportuno e de forma sincera e verdadeira. Por mais vaidoso que seja
ninguém gosta de ouvir elogios exagerados. Ouvi de um patrão para um empregado bajulador:
“Vá direto ao assunto e deixe de bajulação, rapaz!”. Mas o bajulador é
desprovido de bom senso. Nem sabe quando está sendo censurado.
Na tentativa de conseguir
uma vaga como locutor, mesmo sem as condições necessárias para isso, um jovem apresentava-se
ao gerente da empresa para uma entrevista. Passou a citar valores que o gerente
não tinha, apesar de sua capacidade administrativa. Ele nem se preocupou em
apresentar as suas qualidades, se era que as tinha.
Já demonstrando certo
desconforto diante de tanta bajulação, o gerente pediu que o pretenso locutor
apresentasse seu currículo ou falasse um pouco de suas experiências e como ele
não tinha nada a dizer, o diretor levantou-se irritado, deu um tapa na mesa e
disse que a entrevista estava encerrada.
Na sala da Fiscalização
Administrativa do BSvE, onde servi em 1960, um colega procurou o tenente Negri,
chefe da seção, a quem se colocou à disposição para servi-lo no que ele
precisasse. Experiente, o oficial logo sentiu que o recruta estava tentando
conquistar a sua confiança pela bajulação. O colega recebeu um fora tão grande
que nem conseguia mais encarar o superior.
Bajular não vale a pena.
Respeitar é preciso para que o respeitador também seja respeitado. O bajulador
não é digno de respeito e nenhum mérito lhe é conferido. Na verdade, devemos
respeitar sem bajular.
(Por Adalberto Pereira)
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