domingo, 12 de abril de 2020

HISTÓRIAS QUE MEU PAI ME CONTAVA - 4


AS PERALTICES DE PEDRO MALAZARTE

04 – Meu pai dizia que Pedro Malazarte era um sujeito muito esperto. Hoje, pela história que meu pai me contou, eu chego a pensar que ele seria um ótimo político. Vou tentar repassar mais uma história contada por meu pai.

Pedro Malazarte, cujo nome a algumas histórias são bastante conhecidos, era um sujeito bastante esperto. Em uma de suas constantes viagens, ele comprou uma frigideira em uma das poucas lojas ali existentes. Mais adiante, comprou um quilo de carne e alguns temperos.

Montou no seu jumento e saiu vagarosamente, como quem não tem compromisso e para quem todo tempo é tempo. Saber o que passava na cabeça do Malazarte num momento como aquele era algo impossível. Quem sabe não estava maquinando algumas das suas!

Depois de uma longa caminhada, aproveitou um arvoredo bem frondoso, a uns dez metros da estrada,  desmontou do animal e o levou consigo até o local escolhido para saborear um bife que prepararia naquele momento. Catou alguns gravetos, temperou a carne, fez o fogo e lá estava ele inaugurando a nova frigideira recém-adquirida. Acreditem ou não, o bife estava bem cheiroso!

Tudo ia às mil maravilhas até ele ouvir o barulho de um carro. Notou que o veículo havia parado. Imediatamente, tirou a frigideira, apagou o fogo, mas não conseguiu desviar a atenção de dois sujeitos que parara o carro para fazer xixi (muita gente faz isso nas beiras das estradas).

Os dois chegaram até onde estava o Pedro Malazarte e ficaram admirados ao vê-lo com uma frigideira na mão e esta fritando um pedaço de carne sem fogo. Os estranhos visitantes se entreolharam e um deles voltando-se para o Malazarte perguntou:

- Ei, amigo! Como é que esse “bicho” aí  frita carne sem fogo?

Dono de uma presença de espírito invejável, Malazarte sentiu que chegara o momento de colocar em ação mais uma de suas peraltices. Sem muito pensar, respondeu:

- É que ela é mágica! Basta você pronunciar uma palavra mágica e ela faz o resto!

- E quanto lhe custou? – perguntou o outro!

- Ah, amigo! Ela me custou todas as minhas economias! Aliás, esta era a única que tinha na loja!

Depois de muita insistência por parte dos estranhos, Pedro Malazarte não resistiu a “milionária” oferta e passou para os dois a frigideira, que não tinha nada de mágica!

Os dois ficaram tão impressionados com a frigideira que esqueceram de perguntar ao Malazarte a frase mágica para colocar em funcionamento a frigideira.

Depois de mais de uma hora de viagem, os dois pararam para testar a frigideira. Foi aí que um deles esfregando as mãos de felicidade, olhou para o outro e perguntou:

- E aí? Qual é a palavra mágica?

- Palavra o quê? – perguntou o outro com um ar de reprovação.

- Ora! Ele não disse que pra esse troço funcionar tinha que pronunciar uma palavra mágica! Ele não lhe disse qual era?

Houve uma longa discussão, com um colocando a culpa no outro, até que decidiram voltar para tentar encontrar o esperto vendedor. Sem sucesso, retornaram num silêncio sepulcral.

Malazarte não havia esperado, pois sabia que eles voltariam para desfazer o negócio.  Rapidamente, pegou o jumento, atravessou a estrada e tomou  um rumo bem diferente, onde não encontrasse nem as sombras dos dois ingênuos viajantes.

Esta foi uma das muitas histórias que meu pai me contou no meu tempo de criança. Ela está com uma nova redação, mas sem fugir da  originalidade dos fatos.

- Por Adalberto Pereira –

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