quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A DIFICULDADE NA TRANSFERÊNCIA DE VOTOS


TRANSFERINDO IDÉIAS E OPINIÕES!

Ainda na minha adolescência, ouvi de meu pai o seguinte ensinamento: “Antes de agir pense várias vezes e veja se a decisão que vai tomar vai lhe trazer benefícios. Se assim for, tudo bem; caso contrário, desista!”. Eu só vim entender tudo isso anos depois. Geralmente um jovem com 16 anos não tem ainda uma mente fértil!

Ouvi muitos bons conselhos, mas também já fui tentado a seguir maus conselhos. Com apenas 16 anos, tomei meu primeiro gole de cachaça e dei o primeiro trago num cigarro. Fui induzido por um colega de colégio chamado Mailton, que me levara para uma boate em Campina Grande.

Seguir conselhos ou ouvir opiniões de quem não tem respaldo moral  pode levar-nos ao suicídio físico ou moral. E eu quase fui vítima da insensatez de quem se dizia estar tomando a melhor decisão. Ainda bem que Deus agiu na hora certa, premiando-me com a capacidade de discernir o bem e o mal.

Inesperadamente fui “apresentado” ao mundo da política, uma das maiores universidades da vida. Nele, convivi com homens das mais diversas ideologias e dos mais diversos meios de agir. Decepcionado, perguntei a um político como ele iria subir no palanque de quem ele tanto falou mal. Ele disse: “Para ganhar uma eleição a gente faz pacto até com o diabo! Depois, dá um chute no traseiro dele e manda pro inferno!”

Quem quiser conhecer os dois lados da moeda conviva com o “cara” e com o “coroa”. Mesmo entristecido com aquela lição de incompetência moral, resolvi seguir em frente. Afinal, eu estava recebendo apenas a primeira de milhares de lições que a política e os políticos guardam em seus “baús” da hipocrisia. E como eles conseguem ludibriar até os que se autodenominam detentores de incontestável inteligência! Eles são incríveis!

Conheci um político que fazia campanhas em favor de velhas e viúvas indefesas. Era por elas endeusado e ai daqueles que falassem mal dele. Mas elas nem desconfiavam que ele repassava apenas um terço do que arrecadava. O restante levava para casa. Descobri que milhares ainda vivem nessa ilusão.

Foram mais de 50 anos de convivência com políticos dos mais diversos partidos políticos, muitos sem a mínima expressão mas que são sustentados pela infame e interesseira teimosia. Acho graça quando vejo políticos tentando transferir votos de seus eleitores para amigos de outro partido.

Em Patos, um amigo meu, então Presidente do Legislativo Municipal, disse-me que estava deixando a política e que me daria mil dos mil e trezentos votos conquistados. Na época, eu tinha pelo menos 800 votos, caso quisesse me candidatar à Câmara Municipal. Depois de pensar bastante decidi não aceitar. Viver de fantasias nunca foi o meu forte.

Isso era possível nos tempos dos chamados “currais eleitorais”, quando os “coronéis” fazendeiros davam grito de ordem  para seus medrosos moradores. Lembro que um amigo meu prometeu 1.300 votos para um candidato a deputado estadual. Ele havia conseguido dois mil e tantos votos na eleição anterior. Repassou apenas cento e poucos votos.

Em Patos, trabalhei para o Dr. Amir Gaudêncio candidato ao Senado. Certo dia, resolvi fazer uma visita à Vila Cavalcanti, onde muitas famílias tinham grande respeito por mim. Em contato com uma senhora, pedi um voto para o meu candidato. A senhora disse que se fosse para mim, poderia contar com os três votos da família, mas que naquele caso votaria em Dr. Olavo Nóbrega para Senador. Não é fácil transferir votos.

É pouca inteligência ou falta de conhecimento da realidade política, somar percentuais de vários candidatos e juntá-los ao percentual conquistado em um dos turnos da eleição. Sem perguntar, pois isso não me interessa, ouvi dezenas de pessoas confidenciarem a amigos que não votarão em determinado candidato no segundo turno dessas eleições, preferindo votar em branco.

Vamos para uma suposição: Digamos que determinado candidato tenha 11% de vantagem sobre seu oponente. Para superá-lo no segundo turno, ele precise de uma transferência de outros candidatos superior a 12%, além de torcer para que seu adversário não receba nenhuma adesão. Isso, sabendo-se que nenhum candidato transfere 100% dos votos obtidos no primeiro turno.

Os fatos reais mostram que quem vai para o segundo turno com uma vantagem superior a 6% está com 50% de probabilidade para chegar a uma vitória. O que acontecer diferente dessa realidade deve ser considerado como um  milagre ou uma prova de que o impossível pode acontecer, até mesmo na política, onde, em alguns casos, a paixão partidária está acima da razão.

Escrito e postado por Adalberto Pereira.




Nenhum comentário:

Postar um comentário