TRANSFERINDO IDÉIAS E OPINIÕES!
Ainda na minha adolescência, ouvi de meu pai o
seguinte ensinamento: “Antes de agir pense várias vezes e veja se a decisão que
vai tomar vai lhe trazer benefícios. Se assim for, tudo bem; caso contrário,
desista!”. Eu só vim entender tudo isso anos depois. Geralmente um jovem com 16
anos não tem ainda uma mente fértil!
Ouvi muitos bons conselhos, mas também já fui tentado
a seguir maus conselhos. Com apenas 16 anos, tomei meu primeiro gole de cachaça
e dei o primeiro trago num cigarro. Fui induzido por um colega de colégio
chamado Mailton, que me levara para uma boate em Campina Grande.
Seguir conselhos ou ouvir opiniões de quem não tem
respaldo moral pode levar-nos ao
suicídio físico ou moral. E eu quase fui vítima da insensatez de quem se dizia
estar tomando a melhor decisão. Ainda bem que Deus agiu na hora certa,
premiando-me com a capacidade de discernir o bem e o mal.
Inesperadamente fui “apresentado” ao mundo da
política, uma das maiores universidades da vida. Nele, convivi com homens das
mais diversas ideologias e dos mais diversos meios de agir. Decepcionado,
perguntei a um político como ele iria subir no palanque de quem ele tanto falou
mal. Ele disse: “Para ganhar uma eleição a gente faz pacto até com o diabo!
Depois, dá um chute no traseiro dele e manda pro inferno!”
Quem quiser conhecer os dois lados da moeda conviva
com o “cara” e com o “coroa”. Mesmo entristecido com aquela lição de
incompetência moral, resolvi seguir em frente. Afinal, eu estava recebendo
apenas a primeira de milhares de lições que a política e os políticos guardam
em seus “baús” da hipocrisia. E como eles conseguem ludibriar até os que se
autodenominam detentores de incontestável inteligência! Eles são incríveis!
Conheci um político que fazia campanhas em favor de
velhas e viúvas indefesas. Era por elas endeusado e ai daqueles que falassem
mal dele. Mas elas nem desconfiavam que ele repassava apenas um terço do que
arrecadava. O restante levava para casa. Descobri que milhares ainda vivem
nessa ilusão.
Foram mais de 50 anos de convivência com políticos dos
mais diversos partidos políticos, muitos sem a mínima expressão mas que são
sustentados pela infame e interesseira teimosia. Acho graça quando vejo
políticos tentando transferir votos de seus eleitores para amigos de outro
partido.
Em Patos, um amigo meu, então Presidente do Legislativo
Municipal, disse-me que estava deixando a política e que me daria mil dos mil e
trezentos votos conquistados. Na época, eu tinha pelo menos 800 votos, caso quisesse
me candidatar à Câmara Municipal. Depois de pensar bastante decidi não aceitar.
Viver de fantasias nunca foi o meu forte.
Isso era possível nos tempos dos chamados “currais
eleitorais”, quando os “coronéis” fazendeiros davam grito de ordem para seus medrosos moradores. Lembro que um
amigo meu prometeu 1.300 votos para um candidato a deputado estadual. Ele havia
conseguido dois mil e tantos votos na eleição anterior. Repassou apenas cento e
poucos votos.
Em Patos, trabalhei para o Dr. Amir Gaudêncio candidato
ao Senado. Certo dia, resolvi fazer uma visita à Vila Cavalcanti, onde muitas famílias
tinham grande respeito por mim. Em contato com uma senhora, pedi um voto para o
meu candidato. A senhora disse que se fosse para mim, poderia contar com os três
votos da família, mas que naquele caso votaria em Dr. Olavo Nóbrega para Senador.
Não é fácil transferir votos.
É pouca inteligência ou falta de conhecimento da
realidade política, somar percentuais de vários candidatos e juntá-los ao
percentual conquistado em um dos turnos da eleição. Sem perguntar, pois isso
não me interessa, ouvi dezenas de pessoas confidenciarem a amigos que não
votarão em determinado candidato no segundo turno dessas eleições, preferindo
votar em branco.
Vamos para uma suposição: Digamos que determinado candidato
tenha 11% de vantagem sobre seu oponente. Para superá-lo no segundo turno, ele precise
de uma transferência de outros candidatos superior a 12%, além de torcer para que
seu adversário não receba nenhuma adesão. Isso, sabendo-se que nenhum candidato
transfere 100% dos votos obtidos no primeiro turno.
Os fatos reais mostram que quem vai para o segundo turno
com uma vantagem superior a 6% está com 50% de probabilidade para chegar a uma vitória.
O que acontecer diferente dessa realidade deve ser considerado como um milagre ou uma prova de que o impossível pode acontecer,
até mesmo na política, onde, em alguns casos, a paixão partidária está acima da
razão.
Escrito e postado por Adalberto Pereira.
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