O BERRANTE DO VAQUEIRO
(Versos em sete sílabas)
I
Quando amanhecia o dia eu
fazia a oração,
Tomava café com pão e com
muita alegria,
Da cozinha eu saia e corria
pro terreiro.
As galinhas do poleiro
vinham se alimentar
E paravam com o tocar do berrante do vaqueiro.
II
Minha mãe quando me via
vinha me abençoar
E depois de me abraçar
dizia: filho, bom dia,
Era assim que eu sentia amor
puro e verdadeiro.
Meu pai era o conselheiro
sempre pronto a me educar,
E gostava de ouvir tocar o
berrante do vaqueiro.
III
Eu gostava de ficar na
calçada do oitão,
Descascando o fruta-pão que
servia pro jantar.
Era lindo o cantar do galo,
o rei no terreiro,
Parecia um seresteiro sua
amada a despertar.
Até ouvir o tocar do
berrante do vaqueiro.
IV
E quando a noite chegava,
sob a luz do lampião,
Era feita a oração e Deus
nos abençoava
De manhã pai invocava o Deus
bom e verdadeiro,
Depois deixava dinheiro para
a prestação pagar.
Mas tinha que ouvir tocar o
berrante do vaqueiro.
V
Era assim a nossa vida de
paz, amor e fartura,
Sem sentir a amargura por
muita gente sentida.
No começo da descida
pertinho do juazeiro,
Tinha um lindo cajueiro referência
do lugar,
De onde se ouvia tocar o
berrante do vaqueiro.
VI
Carros de boi na estrada com
seu gemido feroz,
E o vaqueiro mostrava a voz açoitando
a boiada.
O vento da madrugada
balançava o cajueiro,
Que ficava no terreiro onde
o galo ia cantar,
Parecendo acompanhar o
berrante do vaqueiro.
VII
Bem cedinho mãe saía para
cuidar do roçado,
Na saia dela, colado, eu
apressado seguia.
Arrancava melancia e tinha
tudo sem dinheiro.
De janeiro a janeiro nem via
o tempo passar,
Mas se ouvia tocar o berrante do vaqueiro.
VIII
Às cinco horas da tarde eu
via meu pai chegar
Cansado, sem reclamar, e sem
mostrar muito alarde,
Mostrava não ser covarde,
mas um homem verdadeiro.
Seguia para o banheiro para
o corpo refrescar,
Enquanto ouvia tocar o berrante do vaqueiro.
IX
Reunidos com alegria lá na
sala de jantar
Eu ouvia meu pai orar, ele a
Deus agradecia
Por tudo que recebia e
também pelo dinheiro.
Me abraçavam primeiro,
depois iam se deitar
Mas tinham que escutar o berrante do vaqueiro.
(Por Adalberto Pereira)
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