sábado, 3 de agosto de 2019

EDITORIAL DA VIDA


                                           LUTANDO PELA SOBREVIVÊNCIA 

Não são poucos os casos de pessoas que surgiram do “nada” e que se deram muito bem na vida. Muitas delas tiveram de lutar para vencer as dificuldades que a pobreza oferece. Eu falo de pessoas que viveram em favelas sem as mínimas condições financeiras, olhando com um olhar de penúria para um futuro sem quaisquer perspectivas de vitória.

Incluam-se neste universo de desiludidos, jogadores de futebol, artistas de teatro e televisão e famosos profissionais da medicina, da engenharia e do mundo político. Gosto de acompanhar as Olimpíadas em todas as suas modalidades, por menos interessantes que possam parecer a alguns que as assistem.

A maneira como os atletas encaram as competições é simplesmente surpreendente. As lágrimas de quem alcança os primeiros lugares, não são diferentes daquelas derramadas pelos decepcionados pelas últimas colocações. São lágrimas que refletem os dois lados daquela competição.

E como é gostoso ouvirmos atletas desclassificados dizerem que deram o melhor de si, mas que estão prontos para continuarem na luta até alcançarem os mais altos lugares no pódio. Não deixa de ser um grande exemplo para quem desiste na primeira frustração.

Camelô desde os seus 14 anos, e vendedor de doces na escola pública, onde estudava, Silvio Santos Abravanel é um grande exemplo de lutas e de vitórias. Faço até questão de repetir o que ele disse em uma das suas entrevistas: “Só não consegue o objetivo quem sonha demasiado. Só não consegue o objetivo quem pretende dar o passo maior do que a perna. São consegue o objetivo quem acredita que as coisas são fáceis”.

Ele disse ainda que precisamos usar o bom senso, deixando de lado a vaidade, porque foi assim, que ele conseguiu de camelô chegar ser banqueiro.

Numa cidadezinha a 200 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, um jovem que sempre conviveu com as dificuldades, sonhava ter uma vida melhor. Aos 14 anos, a vida de Éverton Frutuoso passava por um momento de transformação. Algo impossível até mesmo para os mais otimistas estava por acontecer. Éverton foi o primeiro lugar no concurso de medicina em uma Faculdade do Rio Grande do Norte.

Mas estão enganados os que pensam ter sido fácil para aquele jovem  pobre e filho de agricultores, chegar onde chegou. Para isso, ele teve que lutar e vencer os mais difíceis obstáculos. Seu Edvan e d. Ivaneide não conseguiram esconder a emoção ao falarem do filho. Que saiu de uma simples casa de taipa para as salas sofisticadas de uma Universidade.

Quantas pessoas não se assemelham ao Éverton na luta pela sobrevivência? Quantos grandes profissionais não passaram por dificuldades até alcançarem os seus objetivos?

Certa vez, Jesus Cristo disse aos seus discípulos que se eles tivessem fé do tamanho do grão de uma mostarda, eles seriam capazes de operar grandes maravilhas.  Ele também disse que a fé é capaz de mover montanhas. Essas palavras nos colocam diante da certeza de que os nossos sonhos, os nossos desejos não serão alcançados se não nos movermos de onde estamos.

Os filhotes dos passarinhos abrem o bico à espera do alimento que lhe será levado. Nós, ao contrário, precisamos voar, sair do ninho em busca da nossa sobrevivência.

Dois jovens estudavam no mesmo colégio, na mesma sala, tinham os mesmos professores e eram grandes amigos. Um se esforçava ao máximo para obter as melhores notas; o outro era meio “malandro” e nunca levava as coisas a sério. Ambos concluíram os estudos no mesmo ano e viveram os mesmos momentos da colação de grau.

Algum tempo depois os dois se encontraram. O que se esforçara continuava desempregado, enquanto o outro, o “malandro”, conseguira um emprego numa grande empresa e já fora até promovido a chefe de setor.

Inconformado e sem entender o porquê do sucesso do amigo, o outro perguntou como ele havia conseguido emprego, se no colégio ele era sempre o último em termo de conhecimento. O colega respondeu: “Na verdade, na empresa não tinha vaga alguma, mas eu de tanto insistir, consegui uma vaga de faxineiro. Lá dentro, passei a observar o que os outros faziam. Insisti em tirar as férias de um funcionário, até que me deram a chance. Lutei, lutei, até conseguir chegar a um lugar que ninguém esperava”.

Voltando-se para o amigo, perguntou: - E você? Por que ainda está desempregado? Meio sem jeito o outro respondeu: - Eu nunca saí de casa procurando emprego! Eu não preciso sair por aí mendigando emprego! Se alguém está interessado em meus serviços, que me procure!

Pensar assim não é aconselhável. Se não sairmos da ociosidade, do estado de comodismo e não lutarmos com coragem, dificilmente conseguiremos vencer.

Um grande time só consegue a vitória se tiver um bom plantel, um bom esquema tático e um preparo físico capaz de superar seus adversários. Para isso, cada jogador precisa lutar para alcançar a posição de titular e, consequentemente, chegar a grandes conquistas. Os que pensam o contrário vão ficando para trás.

Desempregado e passando por momentos difíceis, um certo jovem arriscou pedir emprego em uma emissora de rádio. Como o quadro estava cheio, ele disse que aceitaria fazer qualquer coisa, contanto que ganhasse o suficiente para suprir parte de suas necessidades. Foi-lhe dado o emprego de varredor.

Certo dia, ao fazer faxina nos corredores da emissora, notou que algo anormal estava acontecendo. Curiosamente, perguntou a alguém o motivo de tanto movimento. Ficou sabendo que o locutor do horário havia faltado. Ele se ofereceu para dar as horas e o prefixo, enquanto o locutor não chegava. Quando ele começou, houve um silêncio geral. Ele foi tão bom, que hoje é um dos mais famosos locutores daquela emissora de rádio.

(Por Adalberto Pereira)

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