LUTANDO PELA SOBREVIVÊNCIA
Não são poucos os casos de
pessoas que surgiram do “nada” e que se deram muito bem na vida. Muitas delas
tiveram de lutar para vencer as dificuldades que a pobreza oferece. Eu falo de
pessoas que viveram em favelas sem as mínimas condições financeiras, olhando
com um olhar de penúria para um futuro sem quaisquer perspectivas de vitória.
Incluam-se neste universo de
desiludidos, jogadores de futebol, artistas de teatro e televisão e famosos
profissionais da medicina, da engenharia e do mundo político. Gosto de
acompanhar as Olimpíadas em todas as suas modalidades, por menos interessantes
que possam parecer a alguns que as assistem.
A maneira como os atletas
encaram as competições é simplesmente surpreendente. As lágrimas de quem
alcança os primeiros lugares, não são diferentes daquelas derramadas pelos
decepcionados pelas últimas colocações. São lágrimas que refletem os dois lados
daquela competição.
E como é gostoso ouvirmos
atletas desclassificados dizerem que deram o melhor de si, mas que estão
prontos para continuarem na luta até alcançarem os mais altos lugares no pódio.
Não deixa de ser um grande exemplo para quem desiste na primeira frustração.
Camelô desde os seus 14
anos, e vendedor de doces na escola pública, onde estudava, Silvio Santos
Abravanel é um grande exemplo de lutas e de vitórias. Faço até questão de
repetir o que ele disse em uma das suas entrevistas: “Só não consegue o
objetivo quem sonha demasiado. Só não consegue o objetivo quem pretende dar o
passo maior do que a perna. São consegue o objetivo quem acredita que as coisas
são fáceis”.
Ele disse ainda que
precisamos usar o bom senso, deixando de lado a vaidade, porque foi assim, que
ele conseguiu de camelô chegar ser banqueiro.
Numa cidadezinha a 200
quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, um jovem que sempre conviveu com
as dificuldades, sonhava ter uma vida melhor. Aos 14 anos, a vida de Éverton
Frutuoso passava por um momento de transformação. Algo impossível até mesmo
para os mais otimistas estava por acontecer. Éverton foi o primeiro lugar no
concurso de medicina em uma Faculdade do Rio Grande do Norte.
Mas estão enganados os que
pensam ter sido fácil para aquele jovem
pobre e filho de agricultores, chegar onde chegou. Para isso, ele teve
que lutar e vencer os mais difíceis obstáculos. Seu Edvan e d. Ivaneide não
conseguiram esconder a emoção ao falarem do filho. Que saiu de uma simples casa
de taipa para as salas sofisticadas de uma Universidade.
Quantas pessoas não se
assemelham ao Éverton na luta pela sobrevivência? Quantos grandes profissionais
não passaram por dificuldades até alcançarem os seus objetivos?
Certa vez, Jesus Cristo
disse aos seus discípulos que se eles tivessem fé do tamanho do grão de uma
mostarda, eles seriam capazes de operar grandes maravilhas. Ele também disse
que a fé é capaz de mover montanhas. Essas palavras nos colocam diante da
certeza de que os nossos sonhos, os nossos desejos não serão alcançados se não
nos movermos de onde estamos.
Os filhotes dos passarinhos
abrem o bico à espera do alimento que lhe será levado. Nós, ao contrário,
precisamos voar, sair do ninho em busca da nossa sobrevivência.
Dois jovens estudavam no
mesmo colégio, na mesma sala, tinham os mesmos professores e eram grandes
amigos. Um se esforçava ao máximo para obter as melhores notas; o outro era
meio “malandro” e nunca levava as coisas a sério. Ambos concluíram os estudos
no mesmo ano e viveram os mesmos momentos da colação de grau.
Algum tempo depois os dois
se encontraram. O que se esforçara continuava desempregado, enquanto o outro, o
“malandro”, conseguira um emprego numa grande empresa e já fora até promovido a
chefe de setor.
Inconformado e sem entender
o porquê do sucesso do amigo, o outro perguntou como ele havia conseguido
emprego, se no colégio ele era sempre o último em termo de conhecimento. O
colega respondeu: “Na verdade, na empresa não tinha vaga alguma, mas eu de
tanto insistir, consegui uma vaga de faxineiro. Lá dentro, passei a observar o
que os outros faziam. Insisti em tirar as férias de um funcionário, até que me
deram a chance. Lutei, lutei, até conseguir chegar a um lugar que ninguém
esperava”.
Voltando-se para o amigo,
perguntou: - E você? Por que ainda está desempregado? Meio sem jeito o outro
respondeu: - Eu nunca saí de casa procurando emprego! Eu não preciso sair por
aí mendigando emprego! Se alguém está interessado em meus serviços, que me
procure!
Pensar assim não é
aconselhável. Se não sairmos da ociosidade, do estado de comodismo e não
lutarmos com coragem, dificilmente conseguiremos vencer.
Um grande time só consegue a
vitória se tiver um bom plantel, um bom esquema tático e um preparo físico
capaz de superar seus adversários. Para isso, cada jogador precisa lutar para
alcançar a posição de titular e, consequentemente, chegar a grandes conquistas.
Os que pensam o contrário vão ficando para trás.
Desempregado e passando por
momentos difíceis, um certo jovem arriscou pedir emprego em uma emissora de
rádio. Como o quadro estava cheio, ele disse que aceitaria fazer qualquer
coisa, contanto que ganhasse o suficiente para suprir parte de suas
necessidades. Foi-lhe dado o emprego de varredor.
Certo dia, ao fazer faxina
nos corredores da emissora, notou que algo anormal estava acontecendo.
Curiosamente, perguntou a alguém o motivo de tanto movimento. Ficou sabendo que
o locutor do horário havia faltado. Ele se ofereceu para dar as horas e o
prefixo, enquanto o locutor não chegava. Quando ele começou, houve um silêncio
geral. Ele foi tão bom, que hoje é um dos mais famosos locutores daquela
emissora de rádio.
(Por Adalberto Pereira)
Nenhum comentário:
Postar um comentário