RECORDANDO PARA VIVER MELHOR
Quem esquece o passado não
vive o presente nem sonha com o futuro. O passado sempre será importante para
que possamos corrigir os erros cometidos e não repeti-los no presente. Dizem
que errar é humano, mas permanecer no erro é diabólico. Outros chegam a dizer
com muita ênfase que permanecer no erro é burrice. Na verdade, de uma forma ou
de outra, não mostra ser inteligente quem continua errando.
Um amigo meu conheceu uma
jovem que parecia ser um presente de Deus. Namoraram, noivaram e casaram. Ela o
traiu com seu melhor amigo. Tentando vencer a decepção, partiu para outra.
Conversando animadamente com os colegas, disse ter, finalmente, encontrado a
mulher de sua vida. Namoraram, noivaram e casaram. Alguns meses depois ela o
traiu. Anos depois, encontrei-o feliz da vida dizendo não recordar o passado,
para não voltar a sofrer.
Como a vida é repleta de
contradições, conheço pessoas que fazem questão de reviver o passado para viverem
mais felizes. Dizer que o passado fora cem por cento de momentos felizes, não
condiz com uma realidade vivida por todos os seres viventes. O meu amigo que
fora traído duas vezes que o diga. Uma colega de colégio, quando eu ainda era
adolescente, disse que as alegrias do passado, quando lembradas, podem ser um
“antídoto” para as decepções do presente.
Quando criança, sempre ouvia
do meu pai as histórias interessantes dos momentos felizes por ele vividos.
Lembrava o tempo em que fazia parte da banda de música do 15º Regimento de
Infantaria, em João Pessoa. Ele fazia questão de contar-me suas aventuras em
Santa Rita. Eram tão bem contadas as suas histórias que eu pensava estar
vivendo aqueles momentos. Valia a pena vê-lo feliz ao lembrar o passado.
Os anos passaram e o
presente chegava com fatos não muito agradáveis: as mortes do meu tio e da
minha avó paterna antecederam a perda da minha mãe, que veio muitos anos
depois. Hoje, eu tenho certeza de que, se vivo estivesse, meu pai não contaria
aos seus netos, com a mesma alegria, esses três acontecimentos desagradáveis
que marcaram o seu passado. Com certeza, ele nem gostaria de recordá-los.
Se resolvêssemos realizar
uma pesquisa, perguntando a algumas pessoas quais os fatos que marcaram suas
infâncias, as repostas seriam bastante variadas, mas também muito engraçadas.
Se a mesma pergunta fosse feita, levando-se em consideração fatos da
adolescência, as respostas seriam diferentes, mas talvez não muito
interessantes.
Muitos vivem melhor sem
lembrar o passado. Para estes, seria bem melhor se ele nem tivesse existido.
Mas há quem diga que o passado traz boas lembranças. Na Praça da Bengala, um
local onde se reuniam os sexagenários patoenses, os assuntos nos chamavam a
atenção. Como era agradável vê-los rindo ao lembrarem suas artimanhas do passado.
Certamente, para eles, as recordações traziam muitas felicidades.
Mas não podemos deixar de
registrar conversas entre pessoas que fazem do presente trampolim para um
futuro feliz. Ouvindo um grupo de garotas que se reuniam para tomar sorvetes,
na sorveteria Tchan, o que me chamou a atenção foi a certeza que elas
demonstravam quanto ao futuro. Uma delas chegou a dizer: “se meu futuro for 50%
igual ao presente, já me dou por satisfeita!”. As demais chegaram a aplaudi-la.
Eu prefiro viver o presente
para viver melhor. Mas isso não tira de mim o direito de recordar os momentos
felizes do meu passado, que não deixa de ser bastante oscilante quanto às
alegrias e às decepções. Muito amado pelos meus pais e vitorioso em algumas
aventuras, não posso reclamar da minha infância e nem lamentar a minha
mocidade. Graças a Deus, fiz muitas coisas agradáveis e esforço-me para não
repetir aquelas que não fariam de mim o bom exemplo para meus filhos.
(Por Adalberto Pereira)
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